sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Cuidados Continuados…para cultivar rosas!?

No final de 2008 a gestão socialista da Câmara Municipal de São Brás de Alportel abraçou com todas as suas forças o projecto de uma empresa privada na área da saúde – a VillaLiving – para a construção de uma unidade de cuidados continuados em São Brás de Alportel.


Foi apresentado aos partidos da Oposição, nomeadamente ao PSD, uma minuta de protocolo de cedência de um terreno junto à Av.ª S. Brás (Circular Norte) com uma situação geográfica privilegiada, no qual a maior parte das cláusulas eram vagas e abertas e onde a empresa supostamente investidora, não se mostrava sequer identificada (posteriormente veio a saber-se que não estava sequer formalmente constituída) nem existiam quaisquer contrapartidas para o Município que cedia gratuitamente um dos seus terrenos melhor localizados.

Apesar das muitas dúvidas e incertezas, o negócio teria que ser feito a contra-relógio, pois corria-se o risco de perder fundos e a Oposição – esses malandros - estava a atrapalhar o acelerado avanço do Concelho na senda de um progresso mirífico que traria um esplendoroso futuro ao nosso Torrão Natal.

Após bastantes questões e dúvidas por parte do PSD, a contra gosto e após afirmar que o PSD seria contra o investimento e o desenvolvimento de infra-estruturas regionais no Concelho, o executivo camarário de maioria socialista aceitou debater mais profundamente o protocolo de cedência do terreno, tendo sido exigidas garantias e contrapartidas a favor do Município de São Brás de Alportel.

Salienta-se que a maioria socialista não perdeu a oportunidade para, demagogicamente, atacar aqueles que afinal estava apenas a querer que o negócio fosse claro e que os interesses da nossa Terra fossem defendidos.

Em 2009 no dia do município a Uinidade de Cuidados Continuados foi o elemento central da comemoração, em Setembro no debate transmitido por rádio relativo às eleições municipais o presidente e candidato pelo partido socialista referiu que já existiria um protocolo assinado com a Administração Regional de Saúde relativo ao projecto, e em Dezembro do mesmo ano foi anunciada pela gestão camarária socialista o lançamento da 1ª pedra do empreendimento para Janeiro de 2010. Nada aconteceu e o propagandeado protocolo revelou-se inexistente.

Reprodução de anúncio de lançamento da 1ª pedra em Dezembro de 2009

Face ao marasmo no cumprimento do protocolo e reconhecendo implicitamente a inutilidade do gasto de tempo e dinheiro com a acção de antecipação propagandística da obra, o executivo camarário não teve mais remédio do que denunciar o acordo existente com a VillaLiving.

O tempo veio a dar razão ao PSD e às questões e dúvidas que na devida altura e no devido lugar levantou.

Correm agora rumores de que haveria um acordo na calha para entregar o projecto a uma entidade gerida por um conhecido membro do partido socialista e ex- presidente da Câmara de Faro que também, e por mero acaso, está a executar as obras de construção de habitação a custos controlados em S.Brás.

Não existindo agora a suposta urgência de aprovação do projecto, que na altura da VillaLiving se fez querer, não deverá ser o momento de pensar se a localização geográfica prevista para a Unidade de Cuidados Continuados será a ideal? Se outras empresas/organizações estão interessadas e qual o projecto que propõem empreender? Os princípios de utilização pública que justificaram a cedência não onerosa do terreno mantêm-se inalterados?

Apenas com um processo informado e transparente se pode garantir que os bens públicos dos sambrasenses serão cedidos com equidade e que a Unidade de Cuidados Continuados servirá a todos.

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